12/09/2015

DAS BOLACHAS NO ESTIO

     Retirando estas palavras das verdades profundas da vida, dirá a Bolachuda que não lhe tem apetecido prosar, apesar de inúmeras peripécias que poderia aproveitar, se fosse dada a fait-divers. Enfim, estragou-se o forno, estragou-se a paciência, misturaram-se trabalhos improváveis que pariram noites mal dormidas e maus humores quase militantes... adiante: não foi fácil, este estio com temperaturas que incomodam qualquer Miss pelo menos tão Bolachuda como esta e tão grande velocidade na corrida que é quase outono outra vez.
     Mas tudo se recompõe, a natureza segue o seu curso e eis que ágeis mãos humanas tocaram o forno, que voltou a tilintar ao fim do tempo necessário para fazer sair o que é preciso. Ainda assim, algumas ilações foi possível tirar, e partilha-as a Bolachuda para evitar maiores males.
    Definitivamente, não há que estar na cozinha com pensamentos alhures, porque sai tudo torto. Garante a Bolachuda que o estrago é tremendo quando se amassa em revolta: é bem possível que a farinha seja esquecida - e nunca é bem a mesma coisa! - ou falte um ovo ou outro para abrandar a fúria com que se dá a volta à tigela. Não resulta. Cozinha é espaço de entrega, de dádiva, de coração. Nada pode ser demasiado grave quando se quer fazer coisas boas.
     Por isso mesmo, aflições grandes sanadas, recomeça a Miss a antecipar o prazer da lareira, o frio dos fins de tarde, as cores bonitas das folhas antes da nudez do inverno, as castanhas, os frutos secos, as ventanias na cara, as chuvadas no cabelo, a noite fechada quando ainda são sete horas e... bolachas e outras coisas boas, como habitualmente.
      Os tempos têm sido de leituras investigativas e experiências mais ou menos corajosas, portanto é previsível um inverno fecundo neste hemisfério. Para começar, saem as BOLACHAS DO CORAÇÃO. Para quem ama, pois claro -  elas andam aí.

BOLACHAS DO CORAÇÃO, setembro 2015: aveia, chocolate & avelãs