Chegar ao fim do ano foi coisa rápida, de acordo com o calendário, e algumas vezes arrastada, se a medida for o coração: isto conclui a Bolachuda, envolta no fumo doce do chá de menta, a sonhar com paisagens longínquas onde não cabem bolachas.
A verdade é que dos votos, intenções e planos habituais, plasmados em palavras cujo padrão não varia muito apesar do design cada vez mais apurado, foi a Bolachuda deslizando (aceitável eufemismo de época para tropeção) pelo ano fora, por quase trezentos e sessenta e tais dias que algumas realidades lhe deram e nem todas em forma de presente: muitas dúvidas, alguma estupefacção e até frequentes fúrias de retirar as mãos da massa e de cruzar os braços logo a seguir, em recusa descarada: não faço mais nada, não faço mais nada.
Isto foi o que aconteceu, de facto. Mas, por desígnios pouco claros, não foi SÓ o que aconteceu, porque houve tudo isto, mais do que isto e a reacção possível a isto, sob forma de muitas horas na cozinha, imensas bolachas, diferentes sabores, mais encomendas, fios de palavras simpáticas... mas também experiências inenarráveis e resultados longe do maravilhoso, de partir a loiça toda (isto não se passou realmente, é breve nota de ficção ajustada pela escrita a um mundo escaqueirado).
Ora sabe o bom senso, porém, que ninguém é bom juiz em causa própria, e por esse motivo abstém-se a Bolachuda de divagar muito mais sobre a luz (ou a falta dela) que encontrou no percurso, já para não falar das pedras que, de tão existentes no meio do caminho, chegam a motivar poemas - a criatividade, está mais do que provado, é um poderoso elixir para maleitas de derrota, daí haver poetas que vêem pedras e haver outros que as guardam para os castelos de amanhã. Coragem acima de tudo.
E é então assim que, chegado o fim de 2015, quase terminada mais uma volta ao Sol em dias que têm sido de chuva e ventos fortes, se prepara a Miss para "rever o futuro", que o paradoxo é a sua casa: considerar de onde veio, a que lugar já chegou e qual será o ponto de inflexão necessário para que a oportuna paz de espírito acompanhe o calor do forno às horas tardias de habitualmente. Pensa ela que com jeito, talvez sorte e algum tempo, é possível que descubra. Até lá, que 2016 seja um ano de ||coisas boas|| - é o que, deste Dezembro que acaba, se pode atirar para a frente.
Nota: Só porque sim, apeteceu hoje à Bolachuda escrever como aprendeu na escola primária e pela vida fora até chegar um Acordo que, de tão suposto, acordou ainda muito pouco. Fica para memória ortográfica futura, portanto.
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