25/03/2014

DAS DÚVIDAS QUE ATÉ UMA BOLACHUDA TEM

Exime-se a Miss, em horas difíceis, ao apelo guloso dos títulos que lhe prometem poder ser ela mais isto e aquilo se fizer a respiração certa, tiver o pensamento exato ou decidir que o equilíbrio metabólico é profundamente mais importante que o equilíbrio mental. Não consegue. Por mais que até queira, lê três páginas e enfastia-se: ele é o destino, são as vibrações, os não sei quê muito desalinhados e toda a energia cósmica contra aquilo que a Bolachuda, teimosamente, pretende levar adiante. 

boas e picantes - gengibre by Miss Bolachuda
Rodando nos calcanhares para alcançar a paisagem, consegue a Miss pensar que talvez algumas bebidas possam ser tão espirituosas como o nome também promete, mas mostram-lhe as evidências à farta que os espíritos que tem encontrado não gozam sobremaneira de etílica elevação. Desiste, pois - ainda não é esta a paragem.

Ora diz uma sábia história que, se não caminha a montanha, caminha o homem para ela ou ainda precisamente ao contrário (e pode bem ser a mulher), que é sempre muito importante abrir-se às possibilidades. E é assim que a Bolachuda, num abraço universal à neura feminina, dá ímpeto ao avental, põe as mãos na massa e arranja aquilo de que precisa: uma bolacha que fale. Uma bolacha que diga precisamente aquilo que qualquer bolacha deve dizer e que, logo em seguida, nem sequer tenha olhos para fechar antes de se entregar ao sacrifício.
Pois muito bem, está feita. Feita e multiplicada, que isto da peregrinação interior não se faz só de uma vez. E, sacudido este grãozito de farinha, a autoestima da Miss já vai (pelo menos) no andar de cima. É assim mesmo.