18/08/2014

DO TEMPO E DOS AMIGOS (ou DAS ARTES DE TRANSFORMAR UMA EM MUITAS)

Compreendeu de repente a Miss, quiçá por empurrão do estio, que longos meses passaram desde que empunhou a pena (perdão, a tecla, bem menos poética, mas seja a bem da verdade) pela última vez. Isto são preguiças, dores laborais prolongadas, dias que começam e acabam sem que se lhes compreenda o zénite, amarras que humano cria. Enfim: serve para isto o gerúndio. 

Acontecem porém desenraizamentos ocasionais, daqueles que lançam privilegiados além fronteiras, de onde acenam com paisagens berrantes à inveja nacional. Não se conclua daqui que a Bolachuda é despeitada: nada disso. Diverte-se e fica muito, mas mesmo muito grata quando dos périplos mundanos voltam pérolas que se lhe transformam nas mãos em mais, mais, mais... bolachas.

un beau chocolat noir français trazido de Itália pela boa lembrança de uma amiga
Vem então isto a propósito de um magnífico chocolate negro, coisa bem apimentada no aprumo da tablete, trazido por lembrança amiga de terras romanas em forma de bota. Descalçando logo o assunto, deitou-se a Miss à tarefa e eis que interrompe o agosto sabático do forno para dar provas na multiplicação.
 
E já está: chocolate no cheiro, saem leves, ligeiríssimas, totalmente sem glúten e remotamente afrodisíacas - se bem que, nestas coisas, pensa a Miss que não há como acreditar com força -, a caminho de quem as prove. E porque até os sabores são viagens, há um Hemingway conselheiro para quem come bolachas pelo caminho: «Never go on trips with anyone you do not love». E acrescenta a Bolachuda, lá muito com os seus botões: «E escolhe as melhores bolachas, que não sabes como acabas.» Obrigada, S.