Compreendeu de repente a Miss, quiçá por empurrão do estio, que longos meses passaram desde que empunhou a pena (perdão, a tecla, bem menos poética, mas seja a bem da verdade) pela última vez. Isto são preguiças, dores laborais prolongadas, dias que começam e acabam sem que se lhes compreenda o zénite, amarras que humano cria. Enfim: serve para isto o gerúndio.
Acontecem porém desenraizamentos ocasionais, daqueles que lançam privilegiados além fronteiras, de onde acenam com paisagens berrantes à inveja nacional. Não se conclua daqui que a Bolachuda é despeitada: nada disso. Diverte-se e fica muito, mas mesmo muito grata quando dos périplos mundanos voltam pérolas que se lhe transformam nas mãos em mais, mais, mais... bolachas.
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| un beau chocolat noir français trazido de Itália pela boa lembrança de uma amiga |
E já está: chocolate no cheiro, saem leves, ligeiríssimas, totalmente sem glúten e remotamente afrodisíacas - se bem que, nestas coisas, pensa a Miss que não há como acreditar com força -, a caminho de quem as prove. E porque até os sabores são viagens, há um Hemingway conselheiro para quem come bolachas pelo caminho: «Never go on trips with anyone you do not love». E acrescenta a Bolachuda, lá muito com os seus botões: «E escolhe as melhores bolachas, que não sabes como acabas.» Obrigada, S.
